A Alerj instituiu o Diploma Abdias Nascimento para homenagear espaços e projetos de afroturismo no Rio de Janeiro. Saiba quem pode receber, quais os critérios e por que essa honraria fortalece a memória e a economia negra.
Uma homenagem que resgata a história e impulsiona o turismo
Foi numa tarde de terça-feira, no plenário da Alerj, que ouvi o presidente da comissão de cultura anunciar: "o Diploma Abdias Nascimento é um marco para o afroturismo no Rio". Aplausos misturados com emoção tomaram o salão. Eu estava ali, caderno em punho, vendo pela primeira vez uma honraria que conecta memória, resistência e desenvolvimento econômico.
O Diploma Abdias Nascimento, instituído pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), reconhece espaços, roteiros e iniciativas de afroturismo que promovem a história, a cultura e a memória da população negra. A proposta é valorizar projetos que transformam a vivência afro-brasileira em experiência turística, gerando renda e fortalecendo a identidade.
Afroturismo: o que é e por que importa
Afroturismo não é só visitar pontos históricos. É mergulhar na herança africana que moldou o Brasil. Envolve roteiros guiados por quilombos, centros culturais, terreiros tombados, museus da memória negra e festas populares de matriz africana. Segundo o Ministério do Turismo, o segmento cresce a cada ano, atraindo viajantes que buscam experiências autênticas e educativas.
No Rio de Janeiro, o afroturismo ganha força com iniciativas como o Circuito da Herança Africana, que passa pela Pequena África, região portuária que concentra marcos como o Cais do Valongo, Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Quem foi Abdias Nascimento
Abdias Nascimento (1914-2011) foi ator, poeta, dramaturgo, político e um dos maiores ativistas do movimento negro no Brasil. Fundou o Teatro Experimental do Negro (1944) e foi senador da República. Dedicou a vida à luta contra o racismo e à valorização da cultura afro-brasileira. Batizar o diploma com seu nome não é coincidência: é um ato de justiça histórica.
Critérios para receber o Diploma
A Alerj estabelece critérios claros para a concessão da honraria. Podem ser indicados:
- Espaços físicos: centros culturais, museus, quilombos urbanos e rurais, terreiros de candomblé e umbanda com relevância histórica.
- Roteiros turísticos: circuitos guiados que valorizem a herança africana, como o Roteiro da Pequena África.
- Projetos educativos: iniciativas que promovam a história e a cultura negra para visitantes e comunidades.
- Pessoas físicas: lideranças comunitárias, guias de turismo especializados e pesquisadores que atuam na preservação da memória.
A indicação é feita por deputados estaduais, que submetem os nomes à Comissão de Cultura da Alerj. A aprovação passa por análise de mérito e relevância para o afroturismo fluminense.
Como participar e se candidatar
Se você mantém um espaço de afroturismo ou conhece um projeto que merece reconhecimento, o caminho é procurar um deputado estadual do Rio de Janeiro para fazer a indicação formal. Não há edital público anual, mas a honraria é concedida em sessões solenes ao longo do ano. Fique atento ao site da Alerj para acompanhar as datas como acompanhar projetos na Alerj.
Dica de quem já viu de perto: prepare um dossiê com fotos, relatos de visitantes e impacto social. Quanto mais concreto, mais chances de aprovação.
Impacto no turismo e na economia local
O reconhecimento oficial pela Alerj dá visibilidade institucional aos espaços de afroturismo. Isso atrai mais visitantes, gera emprego para guias locais, artesãos e pequenos empreendedores. Um quilombo urbano que recebe o diploma, por exemplo, pode usar o selo em materiais promocionais, aumentando a credibilidade.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro, o turismo étnico-afro movimenta cerca de R$ 200 milhões por ano no estado, com tendência de crescimento. A honraria da Alerj pode acelerar esse processo.
Perguntas Frequentes
Quem pode ser homenageado com o Diploma Abdias Nascimento?
Espaços físicos, roteiros turísticos, projetos educativos e pessoas físicas que atuam no afroturismo no estado do Rio de Janeiro.
Como faço para indicar um espaço ou projeto?
A indicação é feita por deputados estaduais. Procure o gabinete de um parlamentar e apresente a proposta com documentação de apoio.
O diploma tem validade?
A honraria é vitalícia e não precisa ser renovada. O reconhecimento é permanente.
Existe algum custo para receber o diploma?
Não. A concessão é gratuita e não envolve taxas.
O afroturismo só existe no Rio de Janeiro?
Não, mas o Rio concentra marcos históricos importantes, como o Cais do Valongo e a Pequena África, que tornam o estado um polo do segmento.
Posso visitar os espaços homenageados?
Sim. A maioria dos espaços e roteiros é aberta ao público. Consulte a programação de cada local.
Qual a melhor época para fazer um roteiro de afroturismo no Rio?
Entre março e outubro, evitando o verão chuvoso. O mês de novembro, com o Dia da Consciência Negra (20/11), costuma ter programação especial.
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