Destaques Atualizado em 29 de junho de 2026 por Renata Caldas

O Instituto Moreira Salles anunciou durante o CineOP a criação de um centro dedicado à preservação de acervos audiovisuais. O projeto prevê investimento em digitalização e restauro, com meta de atender a todo o Brasil.

O Instituto Moreira Salles (IMS) anunciou, durante o 19º CineOP, Mostra de Cinema de Ouro Preto, a criação de um centro dedicado à preservação de acervos audiovisuais. A iniciativa, que promete ser um marco na conservação da memória cinematográfica brasileira, foi revelada em coletiva de imprensa no dia 21 de junho de 2025.

Segundo o IMS, o centro funcionará em um edifício próprio, com estrutura para digitalização, restauro e armazenamento de obras em película e fita magnética. A previsão é que as operações comecem em 2026, com capacidade para atender produtores e arquivos de todo o país. "A preservação é um desafio urgente. Estamos perdendo obras todos os dias", afirmou o diretor do IMS, João Moreira Salles, durante o anúncio.

O CineOP, que acontece anualmente em Ouro Preto (MG), é reconhecido como o principal fórum de preservação audiovisual do Brasil. A escolha do evento para o lançamento não foi aleatória: a mostra reúne especialistas, arquivistas e produtores de todo o país, criando o ambiente ideal para discutir políticas de acervo.

O que o centro vai oferecer

O novo espaço será dividido em três frentes principais:

  • Digitalização: conversão de película e fita magnética para formatos digitais, com equipamentos de alta resolução.
  • Restauro: recuperação de obras danificadas pelo tempo, com técnicas de limpeza e estabilização química.
  • Armazenamento: câmaras climatizadas com controle de temperatura e umidade, seguindo padrões internacionais.

A estrutura incluirá ainda uma sala de consulta para pesquisadores, com acesso remoto a parte do acervo. "Queremos democratizar o acesso, mas com segurança", explicou a coordenadora de preservação do IMS, Lúcia Santos, em entrevista ao portal da mostra.

O estado da preservação no Brasil

O Brasil tem hoje cerca de 200 mil horas de material audiovisual em risco de degradação, segundo dados da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA). Desse total, apenas 15% está digitalizado. O centro do IMS pretende contribuir com a digitalização de ao menos 5 mil horas nos primeiros três anos de operação.

O anúncio ocorre em um momento de renovação das políticas públicas para o setor. Em 2024, a Lei do Audiovisual foi atualizada para incluir a preservação como área prioritária de investimento lei do audiovisual 2024. O IMS, que já mantém acervos de fotografia e música, agora amplia sua atuação para o cinema.

Como produtores e arquivos podem participar

O centro atenderá tanto acervos institucionais quanto de produtores independentes. O processo começa com uma triagem técnica, seguida de orçamento e cronograma. Para acervos de interesse público, o IMS oferece contrapartida com recursos próprios.

Os interessados devem entrar em contato pelo site do instituto, que disponibilizará um formulário a partir de agosto de 2025. A prioridade será para obras em estado crítico de conservação e com valor histórico reconhecido.

O que dizem os especialistas

A arquivista e pesquisadora Maria do Carmo, da Universidade Federal Fluminense, elogiou a iniciativa: "É um passo fundamental. Precisamos de centros regionais, e o IMS tem capilaridade para inspirar outros." Já o cineasta Carlos Nader, presente no CineOP, destacou a urgência: "Perdemos filmes completos por falta de condições de guarda. Isso não pode continuar."

Perguntas Frequentes

O centro vai cobrar pelos serviços?

Sim, haverá cobrança para acervos privados. Para instituições públicas e projetos sem fins lucrativos, o IMS estuda parcerias e editais.

Quando o centro começa a funcionar?

A previsão é que as operações comecem no primeiro semestre de 2026, com a fase de digitalização sendo a primeira a entrar em atividade.

O centro atenderá apenas acervos do Rio de Janeiro?

Não. O IMS planeja atender produtores e arquivos de todo o Brasil, com logística para recebimento de materiais por correio e transporte especializado.

Que tipo de material pode ser enviado?

Película em diversos formatos (16mm, 35mm, Super 8), fitas magnéticas (VHS, Betacam, U-Matic) e arquivos digitais em risco.

Como sei se meu acervo tem valor histórico?

O IMS fará uma avaliação técnica e histórica durante a triagem. O produtor pode solicitar uma consulta prévia pelo site.

Melhor momento para se planejar

Quem deseja enviar material deve se preparar com antecedência. A triagem começa em agosto de 2025, mas a demanda deve ser alta. Organize o inventário do seu acervo, identifique as obras prioritárias e entre em contato logo no início do processo. O custo médio de digitalização de uma hora de película 16mm gira em torno de R$ 1.500,00, com variação conforme o estado de conservação.

O CineOP termina no dia 26 de junho, mas o anúncio do IMS já repercute entre profissionais do setor. Fui, vi e te conto: o centro é uma resposta concreta a um problema que se arrasta há décadas. O segredo está no planejamento e na parceria entre instituições e produtores.

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