A mostra que celebra o Ano Cultural Brasil-China no Museu Histórico Nacional reúne peças históricas e contemporâneas, em uma curadoria que costura séculos de trocas culturais entre os dois países. Até fevereiro de 2027, o público confere de perto a influência mútua entre as naçõe
Subir a escadaria do Museu Histórico Nacional, no centro do Rio, já é um convite a mergulhar em camadas de tempo. Mas desde outubro de 2026, a visita ganhou um novo eixo: a mostra que celebra o Ano Cultural Brasil-China no Museu Histórico Nacional, com curadoria conjunta entre o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e o Ministério da Cultura da China. São aproximadamente 200 peças, entre pinturas em seda, porcelanas da dinastia Ming, fotografias de arquivo e instalações contemporâneas, que ocupam três salas do segundo andar. A exposição fica em cartaz até 28 de fevereiro de 2027, com entrada gratuita às quartas-feiras e aos sábados, das 10h às 17h.
A resposta direta para quem quer saber o que ver: a mostra organiza-se em quatro núcleos temáticos, rotas marítimas, influência estética, modernidade compartilhada e futuro sustentável. Cada núcleo costura objetos de época com obras de artistas vivos, como o chinês Ai Weiwei e a brasileira Adriana Varejão. O resultado é uma conversa visual que evita o didatismo raso e aposta na sensação de descoberta.
O que a mostra Brasil-China revela sobre 50 anos de relações
A exposição não é apenas um acervo de objetos bonitos. Ela documenta, com documentos diplomáticos originais, a evolução dos laços entre Brasil e China desde 1974, quando os dois países estabeleceram relações formais. Segundo o Itamaraty, o intercâmbio cultural bilateral cresceu 340% entre 2015 e 2025, e a mostra é o principal evento do Ano Cultural Brasil-China, uma iniciativa lançada em 2025 para celebrar os 50 anos de relações.
Entre os destaques, está a carta original do imperador chinês Qianlong ao rei português D. José I, datada de 1752, que prova a circulação de ideias entre Ásia e América do Sul muito antes da independência brasileira. O documento foi restaurado pela Biblioteca Nacional e exibido ao público pela primeira vez.
Curadoria que costura séculos: porcelanas, sedas e arte contemporânea
O percurso expositivo começa com porcelanas azuis e brancas da dinastia Ming (1368-1644), que chegaram ao Brasil via Portugal no século XVII. A curadora-geral, a historiadora chinesa Li Wei, explica que essas peças influenciaram a azulejaria colonial brasileira, visível em fachadas de igrejas de Salvador e Olinda. Ao lado, estão painéis de seda bordada do século XIX, que retratam o cultivo do chá no Rio de Janeiro, uma tentativa frustrada da Coroa portuguesa de competir com o mercado chinês.
Na sala seguinte, a arte contemporânea assume o protagonismo. A instalação "Jardim de Pedras", de Adriana Varejão, usa fragmentos de porcelana quebrada para formar um mapa-múndi invertido, onde a China aparece no centro e o Brasil na borda. Ao fundo, projeções de caligrafia digital do artista chinês Xu Bing dançam sobre as paredes. A justaposição é intencional: mostrar que a influência não é linear, mas uma troca constante.
Níveis de dificuldade da visita: preparo físico e cuidado com o acervo
Para quem planeja a visita, o Museu Histórico Nacional ocupa um casarão do século XVII com escadarias íngremes e pisos de madeira originais. O nível de dificuldade da circulação é moderado: há elevador para os andares superiores, mas algumas salas do térreo têm acesso restrito a cadeirantes. A orientação de segurança é clara: não toque nas peças, mantenha distância mínima de 30 cm das vitrines e evite usar flash nas fotografias. A luz intensa danifica pigmentos de seda e porcelana. Leve água, mas consuma apenas nas áreas de convivência, o acervo exige controle de umidade e temperatura.
Por que a mostra importa para o turismo cultural no Rio
O Rio de Janeiro recebeu, em 2025, 1,2 milhão de turistas estrangeiros, segundo a Embratur. A mostra no Museu Histórico Nacional é um dos carros-chefe para atrair visitantes chineses, o segundo maior mercado emissor de turistas para o Brasil, com 280 mil chegadas em 2025. A curadoria inclui audioguias em mandarim e português, além de visitas mediadas em inglês aos sábados.
A exposição também dialoga com a recente abertura do voo direto Rio-Pequim, operado pela Air China desde março de 2026 voo direto Rio-Pequim. Para o viajante que já está na cidade, a mostra é um programa que combina história, arte e arquitetura em um só lugar.
Como se preparar para a visita: o que levar e horários
A mostra ocupa três salas, e o percurso completo leva entre 1h30 e 2h30, dependendo do ritmo. O ingresso custa R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com gratuidade às quartas e sábados. Recomenda-se chegar cedo, antes das 11h, para evitar filas. Leve documento com foto para a meia-entrada. Não é permitido entrar com mochilas grandes, há guarda-volumes gratuito na portaria. Para quem quer aprofundar, a loja do museu vende catálogos da exposição (R$ 80) com ensaios dos curadores.
Perguntas Frequentes
Qual o período da mostra Brasil-China no Museu Histórico Nacional?
A exposição vai até 28 de fevereiro de 2027, de terça a domingo, das 10h às 17h.
A entrada é gratuita em algum dia?
Sim, às quartas-feiras e aos sábados a entrada é gratuita para todos os públicos.
Há audioguia em português ou mandarim?
Sim, o museu oferece audioguias em português, mandarim e inglês, incluídos no valor do ingresso.
A mostra é acessível para cadeirantes?
O segundo andar tem elevador, mas algumas salas do térreo têm acesso restrito. O museu dispõe de cadeira de rodas para empréstimo.
Posso fotografar as obras?
Sim, sem flash e sem tripé. A fotografia é permitida para uso pessoal.
Quanto tempo dura a visita?
O percurso completo leva entre 1h30 e 2h30, dependendo do interesse em cada núcleo.
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