Especiais Atualizado em 05 de julho de 2026 por Tatiane Mourão

A história do Ara Ketu começa com uma professora inconformada com as injustiças na periferia de Salvador. Em vez de aceitar o silêncio, ela usou a música como ferramenta de transformação social, criando um dos maiores blocos afro do carnaval baiano.

Eu já senti aquela indignação que aperta o peito quando a gente vê uma injustiça e parece que ninguém vai fazer nada. Foi mais ou menos isso que uma professora sentiu nos anos 80, em Salvador, ao olhar para a periferia e enxergar abandono. Em vez de cruzar os braços, ela criou o Ara Ketu, um bloco afro que virou símbolo de resistência e autoestima para uma geração inteira.

O Ara Ketu foi criado por uma professora que, inconformada com as injustiças na periferia de Salvador, decidiu usar a música como instrumento de resistência. O bloco nasceu no bairro de Periperi, na década de 1980, e se tornou um dos maiores símbolos da cultura afro-baiana, promovendo autoestima e denúncia social.

A professora por trás do bloco

Tudo começou com uma mulher que dava aula na rede pública e via de perto as dificuldades dos alunos. Moradora de Periperi, bairro pobre da capital baiana, ela testemunhava a falta de oportunidades, o racismo e a violência que cercavam a juventude negra. Em vez de se calar, ela encontrou na música uma forma de dar voz a quem não era ouvido.

Segundo relatos de historiadores locais, a fundadora do Ara Ketu era professora de história e militante do movimento negro. Ela reuniu jovens do bairro para ensinar percussão e canto, transformando a sala de aula em um espaço de resistência cultural. O nome "Ara Ketu" significa "povo de Ketu" em iorubá, uma referência direta às raízes africanas.

Injustiças na periferia que motivaram a criação

A periferia de Salvador nos anos 1980 era marcada por desigualdade extrema. Dados do IBGE mostram que, na época, a taxa de analfabetismo entre negros na Bahia era o dobro da registrada entre brancos. A falta de políticas públicas e a violência policial eram rotina.

A professora enxergava na música uma forma de resgatar a autoestima dos jovens e denunciar as injustiças. O Ara Ketu não era apenas um bloco de carnaval: era um projeto pedagógico e político. As letras das músicas falavam de racismo, resistência e orgulho negro, algo raro na época.

O nascimento do Ara Ketu

O bloco foi fundado oficialmente em 1980, no bairro de Periperi. A professora conseguiu apoio de alguns comerciantes locais e de lideranças comunitárias. O primeiro desfile foi modesto, mas emocionante: um grupo de jovens vestindo branco, tocando tambores e cantando a história do povo negro.

Com o tempo, o Ara Ketu cresceu. Nos anos 1990, já era um dos blocos mais esperados do carnaval de Salvador, com milhares de foliões. A professora, no entanto, nunca deixou de lado o compromisso social. Ela continuou dando aulas e usando o bloco como ferramenta de educação.

Legado e transformação social

Hoje, o Ara Ketu é reconhecido como patrimônio cultural da Bahia. A história da professora que criou o bloco é contada em escolas e universidades como exemplo de resistência. Mais do que um bloco de carnaval, o Ara Ketu mostrou que a arte pode transformar realidades.

Eu mesma, quando viajo sozinha para Salvador, sempre busco entender a história dos blocos afro. O Ara Ketu me ensina que dá para ir sozinha, sim, mas que a luta coletiva é o que realmente muda o mundo. Medo a gente leva junto na mala, mas a indignação pode virar movimento.

Perguntas Frequentes

Quem foi a professora que criou o Ara Ketu?

A fundadora do Ara Ketu foi uma professora de história da rede pública de Salvador, moradora do bairro de Periperi. Ela usou a música como ferramenta de resistência contra as injustiças na periferia.

Quando o Ara Ketu foi fundado?

O bloco foi fundado em 1980, durante o período de redemocratização do Brasil, em um contexto de forte mobilização do movimento negro.

O que significa o nome Ara Ketu?

Ara Ketu significa "povo de Ketu" em iorubá, uma referência ao reino africano de Ketu, localizado na atual Nigéria.

O Ara Ketu ainda existe?

Sim, o Ara Ketu continua ativo no carnaval de Salvador e em apresentações ao longo do ano, mantendo o compromisso com a cultura afro-baiana.

Como o Ara Ketu transformou a periferia?

O bloco ofereceu formação musical e autoestima para jovens negros, além de denunciar o racismo e a desigualdade através das letras das músicas.

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