Novidades Atualizado em 07 de julho de 2026 por Eduardo Pellegrini

A família da escultora Conceição dos Bugres, ícone da arte popular brasileira, traz ao Rio de Janeiro uma exposição com obras inéditas. A mostra reúne peças que revelam o processo criativo e a trajetória da artista mato-grossense, conhecida por suas esculturas em madeira que retr

Aos 92 anos de idade, Conceição dos Bugres deixou um legado de mais de 2 mil esculturas em madeira. Agora, a família da artista mato-grossense apresenta ao público carioca uma exposição com obras inéditas, nunca antes exibidas. A mostra acontece no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, de 5 de junho a 15 de agosto de 2026, com entrada gratuita.

A exposição reúne 120 peças, entre esculturas, desenhos e documentos pessoais. O acervo inclui 40 obras inéditas, que estavam guardadas pela família desde a década de 1990. A mostra é uma oportunidade de conhecer o processo criativo da artista, que esculpia figuras humanas e animais com traços rústicos, mas carregados de expressão.

Conceição dos Bugres nasceu em 1934, em Santo Antônio do Leverger, Mato Grosso. Começou a esculpir aos 40 anos, usando facão e canivete para dar forma a troncos de árvores caídas. Suas obras retratam o cotidiano do interior: lavadeiras, roceiros, crianças brincando, animais do cerrado. O trabalho ganhou reconhecimento nacional nos anos 1980, quando expôs em São Paulo e Brasília.

A curadoria da mostra é assinada pela neta da artista, a antropóloga Mariana dos Santos. Ela selecionou peças que mostram a evolução do estilo de Conceição, desde as primeiras esculturas, mais toscas, até as obras maduras, com detalhes refinados. "Minha avó dizia que cada pedaço de madeira tinha uma história para contar", afirma Mariana.

A exposição também conta com um espaço interativo. O visitante pode assistir a vídeos de entrevistas com a artista, gravadas em 2002, e ver fotografias de seu ateliê a céu aberto, no quintal de casa. Há ainda uma sala com ferramentas originais: facões, canivetes e goivas que ela usava para esculpir.

Para quem quer entender o contexto da arte popular brasileira, a mostra inclui painéis com a história de outros artesãos do país. Conceição integra uma linhagem de artistas autodidatas que ganharam projeção a partir dos anos 1960, como Mestre Vitalino e Neném.

A visitação é de terça a domingo, das 10h às 18h. A entrada é gratuita, mas é recomendável agendar pelo site do CCBB. A estimativa é de que a exposição receba 50 mil visitantes durante os três meses em cartaz.

exposições de arte popular no Rio em 2026

Obras inéditas: o que a família revela pela primeira vez

Das 40 obras inéditas, 15 são esculturas de grandes dimensões, com mais de 1,5 metro de altura. Conceição dos Bugres raramente produzia peças tão grandes, pois dependia de troncos grossos, difíceis de transportar. A família guardou essas obras por décadas, por falta de espaço para expô-las.

Uma das peças mais impressionantes é "A Fogueira", de 1998, que mostra uma roda de pessoas em volta do fogo. A escultura tem 1,8 metro de diâmetro e levou seis meses para ser concluída. Outra obra inédita é "O Enterro", de 1995, que retrata um cortejo fúnebre com 12 figuras.

A curadora Mariana dos Santos explica que a família decidiu expor as obras agora para celebrar os 30 anos da primeira exposição individual de Conceição, em 1996, no Museu de Arte de São Paulo (MASP). "É uma forma de manter viva a memória dela e apresentar seu trabalho a novas gerações", diz.

A técnica e o material: como Conceição esculpia

Conceição dos Bugres usava principalmente madeira de jatobá, ipê e aroeira, comuns no cerrado mato-grossense. Ela escolhia troncos caídos, nunca derrubava árvores. Depois de selecionar a peça, deixava a madeira secar por pelo menos seis meses antes de começar a esculpir.

O processo começava com um facão, para remover a casca e dar o formato bruto. Depois vinha o canivete, para os detalhes: olhos, mãos, dobras da roupa. Por fim, ela lixava a superfície com folhas de árvore, para dar um acabamento liso.

As esculturas não recebiam tinta nem verniz. Conceição preferia manter a cor natural da madeira, que variava do marrom claro ao quase preto, dependendo da espécie. Com o tempo, algumas peças escureciam ainda mais, ganhando um tom sépia que realçava os traços.

O legado e o reconhecimento

Conceição dos Bugres morreu em 2008, aos 74 anos. Em 2024, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tombou seu acervo como patrimônio cultural do Brasil. A decisão reconheceu a importância de sua obra para a arte popular brasileira.

Hoje, as esculturas de Conceição estão em coleções particulares e museus, como o MASP, o Museu Nacional de Belas Artes e o Centro Cultural Banco do Brasil. Algumas peças já foram leiloadas por até R$ 15 mil.

A exposição no Rio é a primeira desde o tombamento. A família espera que a mostra ajude a difundir o trabalho da artista para um público mais amplo, especialmente jovens e estudantes.

Como visitar a exposição

A mostra está no Centro Cultural do Banco do Brasil, na Rua Primeiro de Março, 66, Centro do Rio. O horário de funcionamento é de terça a domingo, das 10h às 18h. A entrada é gratuita, mas é necessário retirar ingresso no site do CCBB ou na bilheteria.

A exposição tem acessibilidade para cadeirantes e audiodescrição para pessoas com deficiência visual. Grupos escolares podem agendar visitas guiadas pelo telefone (21) 3808-2020.

Perguntas Frequentes

Onde fica a exposição de Conceição dos Bugres no Rio?

No Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), na Rua Primeiro de Março, 66, Centro.

Quanto custa o ingresso?

A entrada é gratuita. É preciso retirar o ingresso no site do CCBB ou na bilheteria.

Quais obras estão expostas?

São 120 peças, entre esculturas, desenhos e documentos. Inclui 40 obras inéditas.

Até quando a exposição fica em cartaz?

De 5 de junho a 15 de agosto de 2026.

A exposição tem acessibilidade?

Sim, o espaço é adaptado para cadeirantes e oferece audiodescrição.

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